A MENTIRA INSTITUCIONALIZADA

Por Anatoli Oliynik

A mentira sempre acompanhou o ser humano, desde os seus primórdios. Entretanto, num determinado período da história humana ela institucionaliza-se e passa a ser utilizada como recurso de manipulação, controle e poder.

O ato de mentir, ou a mentira propriamente dita pode ser classificada em quatro tipos distintos, quais sejam:

1. A Mentira Social: é a mentira moralmente aceitável. É a mentira piedosa ou aquela sem conseqüência de qualquer natureza. Exemplo: O sujeito que mente para se livrar de um vendedor ou da moça do telemarketing.

2. A Mentira com objetivo concreto: é aquela em que o sujeito mente para alcançar um determinado objetivo que pode ser legítimo ou ilegítimo:

a) Legítimo: quando o sujeito mente para o ladrão onde está escondido o dinheiro ou quando o soldado mente para o inimigo onde está escondida a munição.
b) Ilegítimo: é aquela em que o sujeito mente premeditadamente para alcançar um objetivo escuso. Esse tipo de mentira é perigoso.

3. A Mentira Patológica ou mitomania: é aquela em que o sujeito mente sistematicamente; ele é incapaz de não mentir. Todavia, ele não mente para si mesmo. Exemplo: Karl Marx e suas teses consubstanciadas em dados estatísticos falsificados premeditadamente por ele mesmo.

4. A Mentira Existencial: é a mais grave de todas. É aquela em que o sujeito mente, inclusive, para si mesmo. Exemplo: Dr. Jekyll e Mr. Hyde do romance “O Médico e o Monstro” (1886) de Robert Louis Stevenson (1850-1894). Luigi Pirandello (1867-1936) é o escritor que melhor expressa esse tipo de mentira. Exemplo: “O Falecido Mattia Pascal” (1904) e “Seis Personagens à Procura de um Autor” (1921). “O Pato Selvagem” (1884) de Henrik Ibsen, também expressa este tipo de mentira.

Estes quatro tipos distintos de mentira acompanham o homem, em maior ou menor grau, em toda a sua existência.

Entretanto, gostaria de falar sobre a modalidade da mentira institucionalizada, aquela voltada para manobrar as grandes massas humanas, dominá-las, controlá-las e também corrompê-las.

Essa modalidade tem a sua gênese e toma a sua forma potencializada a partir da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Vejamos alguns relatos:

“A guerra atacou os padrões morais tão rudemente quanto as formas estéticas. O fato de que a matança em massa por qualquer método imaginável se tivesse convertido em rotina, em dever, em propósito moral, foi apenas o mais cruel dos ataques a uma ordem moral que se dizia enraizada numa ética cristã.” (EKSTEINS, 286)

Mais adiante:

“A guerra impôs aos soldados uma ‘viagem interior’, mas os civis empreenderam uma viagem paralela no país natal. A censura e a propaganda desempenharam papel principal neste processo, dissimulando, como era seu propósito, a realidade da guerra. O front interno nunca soube com precisão como a guerra se desenrolava. As derrotas eram apresentadas como vitórias, o impasse como manobra tática. A verdade tornava-se mentira, e a mentira verdade. Como o eufemismo se tornou a ordem do dia oficial, a linguagem foi virada de cabeça para baixo e de dentro para fora. Inventaram-se histórias de atrocidades, e calava-se sobre atrocidades reais.” (EKSTEINS, 298) (grifos meus).

“As fronteiras entre a verdade e a mentira tornaram-se tão indefiníveis que se tomavam os desmentidos oficiais de boatos por tentativas de desorientar o inimigo.” (EKSTEINS, 300)

Nesse paradoxo, enquanto as esferas social e cultural pareciam se afastar uma da outra, a essência da experiência moderna permaneceria.

“O mundo tornou-se uma invenção da imaginação, ao invés de ser a imaginação uma invenção do mundo.” (EKSTEINS, 302)

Nesse lodaçal a imprensa liderava o esforço de propaganda, mas clérigos, educadores, músicos e autores o reforçavam. Todos os beligerantes se envolveram na criação de mitos e na distorção da realidade. A realidade, o senso de proporção e a razão – eis as principais baixas da guerra.

E assim os novos governantes, a nova imprensa e as mentes psicóticas satanizadas encontram o caminho pavimentado para exercer a manipulação, o controle e o poder sobre as massas, transformando o Estado em pai, protetor e a mãe gentil de todos. Que receita! Que descoberta! Nada tão apropriado para justificar o gigantismo do Estado!

O grande Leviatã se ergue de suas trevas e lança suas garras sobre nós transformando-nos em amebas, incapazes de enxergar o mundo e a realidade e até de governar nossas vidas. Totalmente dependentes do grande pai, na verdade o Grande Irmão, que tudo vê, tudo sabe e tudo controla, encarceramo-nos numa prisão sem grades na busca da proteção patrimonialista utópica.

O resultado de tudo isso é este mundo irreal, fantasioso, utópico, imbecilizado pela cultura do coitadismo, do direito sem obrigações, na qual a massa se encontra.

Até quando a grande massa chafurdará nessa mentira levada a efeito pelo Estado moderno que se potencializou a partir da Primeira Guerra Mundial?

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DILEMA MORAL

Por Anatoli Oliynik

Os códigos morais, que vão desde as orientações religiosas até as orientações jurídicas, só funcionam se existir um tribunal interno dentro de cada um. Esse tribunal interno é a bifurcação da vontade. Se a bifurcação da vontade deixar de existir, a pessoa automaticamente deixará de ser um ser humano e nenhum código moral irá funcionar.

Um ser humano que não tenha dilemas morais é uma pessoa doente que caiu fora da espécie, porque não é possível viver sem dilema moral. Apenas os animais irracionais vivem sem dilema moral algum. O leão, por exemplo, é capaz de devorar os próprios filhotes recém-nascidos só para acelerar o retorno do cio da leoa devido a suspensão da amamentação. Para ele não há dilema moral, assim como para os demais animais irracionais.

Nós, humanos, embora torçamos para não ter nenhum dilema moral na vida, na realidade acontece o contrário: nós passamos a vida inteira vivendo dilemas morais. Alguns são completamente insolúveis. Como não sabemos o que fazer, o jeito de lidar com isso é procurar um código externo que possa dizer o que fazer. Um deles é o jurídico. O outro é o religioso, ou seja, fazer aquilo que Deus gostaria que fizéssemos. Esta segunda opção é a solução para qualquer dilema moral, vez que o código jurídico deveria, obrigatoriamente, derivar da moral religiosa, ou seja, o direito positivo deve derivar, sempre, do direito natural. Infelizmente não é o que acontece.

Os dilemas morais são de duas naturezas: verdadeiros e falsos. Os dilemas são verdadeiros quando eles têm uma natureza que se desdobra no tempo. Ao contrário, são falsos. Por exemplo, um dilema que não é moral: “Quem é mais bonito, o Shrek ou o Antônio Banderas?” Isso não é um dilema moral porque ninguém tem dúvida quanto a isso. A escolha surge automaticamente, embora algumas escolhas possam recair no outro.

Por outro lado, se a pergunta for “Coloco ou não coloco o meu filho no Colégio Militar?” A pessoa só vai saber se a decisão foi boa ou não, daqui a vinte anos, ou seja, no tempo. Portanto, os dilemas morais se caracterizam por se desdobrarem no tempo. Assim, a pessoa nunca pode ter certeza se tomou a melhor decisão no ato da decisão. Só o tempo dirá. É por isso que existem códigos morais externos que decidem pela pessoa quando ela não sabe o que fazer.

Se a pessoa não está feliz com os códigos morais externos, sempre haverá a orientação maior. Em última análise, façamos aquilo que Deus quer que cada um faça. Mesmo assim, e independente da escolha, a pessoa não se livrará da dor de enfrentar o dilema moral, por mais que ela utilize um desses três estratagemas:

1. Fingir que para você não vale esse código, mas outro;
2. Fingir que você não é você;
3. Fazer de conta que não há código moral nenhum.

Pessoa alguma irá obter sucesso com nenhum dos três estratagemas, porque no fundo, o que resta em última análise é tomar a decisão. Essa decisão será sempre dolorosa, mas se for feita para o lado do bem, será muito melhor do que fazê-la para o lado do mal.

Quando estudamos a ética, a moral ou qualquer outra coisa que o valha, não dá para perder de vista essa visão que acabo de expor, senão corremos o risco de ficar nessa conversinha mole de “ética disso”, “ética daquilo” etc. Na realidade as pessoas perderam completamente a idéia e a verdadeira noção de ética para submeterem a ética a uma espécie de colegiozinho do “politicamente correto”, ou seja, seguir um conjunto de orientações de uma cartilhazinha elaborada por um bando de psicopatas que se julga acima do bem e do mal. Perdeu-se completamente a noção de que esse assunto é de consciência humana.

A noção de que há um dilema moral só pode ser alcançada se a pessoa fugir das três escapatórias amplamente utilizadas nos tempos atuais: a) fingir que aquele código não vale para ela; b) fingir que não é com ela; c) fazer de conta que não há código moral algum. Esses são os três tipos de mentira que as pessoas estão utilizando o tempo todo. Elas “grudam” nessas três regras escapatórias e criam uma realidade à parte que na verdade não é realidade nenhuma, mas apenas uma fantasia que as pessoas assumem como aspectos da realidade.

O problema fundamental que as pessoas têm, é a incapacidade para destruir a confusão do processo que envolve a noção de realidade e fantasia. Se não for promovida a distinção entre o que é realidade e o que é fantasia, o problema permanecerá insolúvel e a única escapatória para livrar-se da dor do dilema moral, será viver na mentira dos estratagemas ou assumindo o papel do leão.

O sujeito que faz uma coisa ou outra é uma pessoa que já caiu fora da espécie humana e não tem consciência disso.

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MENSAGENS CLANDESTINAS AUDITIVAS

Por Anatoli Oliynik

MENSAGEM SUBLIMINAR

As mensagens clandestinas auditivas baseiam-se em técnicas diferentes às das imagens. Trata-se de fazer passar solicitações em gravações, geralmente musicais. Mesmo sem serem percebidas, são recebidas ao nível do inconsciente. É mais ou menos como se o nosso inconsciente ouvisse os sons dos apitos para cães sem que a nossa consciência se desse conta.

Cinco técnicas são utilizadas para a introdução da mensagem subliminar [1]:
1. a freqüência modulada;
2. as freqüências muito baixas (entre 14 a 20 ciclos/segundo);
3. as freqüências altas (entre 17 mil a 20 mil ciclos/segundo);
4. a velocidade variável (audível apenas com um aparelho especial para esse fim);
5. mensagem invertida, não fazendo qualquer sentido ao ser ouvida, mas contendo-o, de preferência subversivo, na ordem inversa dos fonemas (não confundir com palíndromos [2]).

Quando o cérebro é estimulado de forma prolongada por um sinal ultra-sônico desse tipo, produz uma reação bioquímica equivalente a uma injeção de morfina, tal como seu nome indica: endo-morfina (morfina natural). A reação produz um duplo efeito: uma estranha sensação de bem-estar e uma ativação dos processos mentais. É como se a hiperatividade do cérebro lhe permitisse compreender com maior lucidez a mensagem subliminar. Um círculo vicioso é desencadeado (Regimbal). Devido a essa reação endócrina, mensagens clandestinas podem ser enviadas ao ouvinte, tanto mais receptivo quanto inconsciente.

Nota: Houve denúncia que durante a campanha eleitoral de 1988 em França, para reeleição do presidente François Mitterrand, foram utilizadas mensagens subliminares por meio de imagens. A Antenne 2 fez passar nos seus comerciais 2949 vezes a imagem do candidato Mitterand que não era visível a olho nu. Só com câmara lenta que a imagem se tornava evidente e podia ser fotografada. A imprensa francesa tratou de abafar o caso eficientemente aplicando o axioma da desinformação [3].

A denúncia mais grave é contra os grupos de rock’n roll que exploraram essa possibilidade em suas músicas. A seguir alguns exemplos como funciona, bem como a indicação de grupos que se utilizaram desse processo:

Exemplo de mensagens invertidas: a canção dos Beatles “Revolutions Number 9” dá a ouvir uma dezena de vezes uma série de sons semelhantes a number nine, number nine, mas que, invertidos, se ouvem como turn me on, dead man “ilumina-me, macchab”, parecendo o macchab em questão ser Jesus Cristo. A canção “When electricity comes to Arkansas” do grupo Black Oak Arkansas, é ainda mais explícita: ouvidas ao contrário, as palavras inintelegíveis proferidas pelos intérpretes dão satan, satan, he is god, he is god (Satanás é Deus). Outros grupos que utilizaram processos semelhantes foram: Elvis Presley, KISS, Rolling Stones, Zeppelin, The Who, entre outros.

As canções, via de regra:
 gabam a perversão sexual em todas as suas formas;
 fazem apologia ao suicídio;
 incitam à violência e ao assassínio;
 recomendam a consagração a Satanás;
 apelam à revolta contra a ordem estabelecida, tal como os cantores de rap americanos, cujo refrão preferido é, como se sabe, kill a pig “sangra um porco”.

A revista Rolling Stones declara abertamente: “O rock é mais do que uma música, é o centro energético de uma nova cultura e de uma juventude em revolução”.
E foi assim que o rock marcou o princípio da subversão e da revolução que não foi espontânea, mas induzida.

Para aqueles que desejam se aprofundar no assunto, recomendo ler o livro de Vladimir Volkoff “Pequena História da Desinformação: do Cavalo de Tróia à Internet” e estudar o marxismo cultural, especialmente a “Escola de Frankfurt”, bem como a atuação demoníaca de Herbert Marcuse nos Estados Unidos, responsável maior sobre o caos premeditado que se abateu sobre a juventude do mundo todo, notadamente com a célebre frase “Make love not war” (Façam amor, não a guerra).

Fica para reflexão a seguinte pergunta: As eleições de 2002, 2006 e 2010 no Brasil poderiam estar eivadas de mensagens subliminares utilizadas com sucesso por François Mitterrand em 1988?

Glossário:
Mensagem subliminar: Quando imagens e sons se situam abaixo do nível de percepção de uma pessoa. A percepção subliminar foi descoberta em 1917, em Viena, por Otto Poetzl.
Palíndromo: Palavra, número ou frase que se lê da mesma forma de trás para a frente e de frente para trás. Ex.: Radar; Elu par cette crapule (frase em francês que se lê de igual modo nos dois sentidos).
Axioma da desinformação: “Aquilo de que não se fala não existe”.

Excertos extraídos por Anatoli Oliynik do livro “Pequena História da Desinformação: do Cavalo de Tróia à Internet” de Vladimir Volkoff. Os comentários são pessoais.

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IMAGENS SUBLIMINARES

Por Anatoli Oliynik

MENSAGEM SUBLIMINAR

A percepção subliminar foi descoberta em 1917, em Viena, por Otto Poetzl.

Poetzl apresentava às pessoas uma imagem complexa – cena de Far West, com indivíduos, cavalos, carruagens – durante algumas centésimas milionésimas de segundo e depois lhes perguntava o que tinham visto. As pessoas não se lembravam praticamente de nada. Depois de descansarem ou passarem pelo sono, Poetzl lhe recolocava a questão: descreviam então a cena de uma forma muito mais completa. Nos anos 60, o mesmo teste foi repetido com estímulos no lugar da sonolência e o resultado foi igualmente notável.

O subliminar clássico é representado pela famosa 25ª imagem por segundo introduzida num filme que passa tão rapidamente que o olho não a pode comunicar à consciência, todavia, atinge diretamente o inconsciente.

O princípio do cinema baseia-se no fato de o olho não perceber o espaço de tempo que separa as imagens captadas umas a seguir às outras, daí a ilusão do gesto contínuo ou do desabrochar de uma flor. É grande, portanto, a tentação de introduzir mais uma imagem no fluxo de imagens, imagem essa portadora de uma “mensagem” diferente das outras percebidas pelo espectador sem que ele o saiba.

Em 1957 James Vicary afirmava ter aproveitado uma sessão de cinema para projetar, de cinco em cinco segundos, à velocidade de 1/30000 de segundo, as mensagens “Drink Coca Cola” e “Hungry? Eat popcorn” (Beba Coca Cola) e (Se tiver fome, coma pipocas). As vendas dessa bebida aumentaram 57,7% e da pipoca 18,1% por cento.

A National Association of Broadcasters dos Estados Unidos, o Conselho da Radiotelevisão canadense e o Institute of Practitioners in Advertising da Grã-Bretanha proibiram o uso de mensagens subliminares na publicidade. Isso leva a crer que elas não são tão inocentes como certos “especialistas” contemporâneos nos querem fazer crer.

Em 1988, durante a campanha eleitoral a Antenne 2 fez passar 2949 vezes uma imagem do Presidente François Mitterrand, candidato a reeleição ao governo francês, que não era visível a olho nu. A imagem se tornava evidente e podia até mesmo ser fotografada só em câmara lenta. O Presidente Mitterrand agiu como se nada houvesse acontecido e como não tivesse sido apanhado em flagrante delito. Não é preciso dizer que Mitterrand foi reeleito.

A imprensa francesa tratou de abafar o fato de crime de lesa-majestade e ninguém ousou implicar a Presidência neste caso, muito parecido com o “mensalão” quando o presidente brasileiro foi literalmente blindado pela imprensa amestrada e pelos políticos corruptos que lhe davam guarida. Estes casos em outros paises, verdadeiramente democráticos, e não de conveniência como são em França e no Brasil, teriam sido denunciados de imediato, apurados e seus respectivos beneficiários impedidos.

Por outro lado, quem pode afirmar com segurança que a propaganda subliminar não correu solta nas eleições de 2002, 2006 e 2010? Historicamente o Brasil é seguidor contumaz do marxismo francês e comunismo russo, especialistas em mensagens subliminares e da desinformação. A imprensa brasileira amestrada não fica nada a dever a Antenne 2, ao Eliseu e ao Le Monde.

Tanto lá como aqui aplica-se um dos axiomas da desinformação: “Aquilo de que não se fala, não existe”.

Excerto extraído por Anatoli Oliynik do livro “Pequena História da Desinformação: do Cavalo de Tróia à Internet” de Vladimir Volkoff. Os comentários são pessoais.

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GRAMSCI E A COMUNIZAÇÃO DO BRASIL

Por Anatoli Oliynik

Em lugar algum no mundo o pensamento de Gramsci foi tão disciplinadamente aplicado como está sendo no Brasil. Inicialmente, pelo governo FHC, e agora pelo PT, cuja nomenklatura governamental segue com rigor as orientações emanadas dos intelectualóides uspianos que dirigem o Foro de São Paulo e que têm como cartilha os Cadernos do Cárcere, de Gramsci.

Quem não está familiarizado com as ideologias políticas, por certo estará perguntando: Quem foi Gramsci e qual sua relação com o comunismo brasileiro?

Antonio Gramsci Antonio Gramsci (1891-1937), pensador e político foi um dos fundadores do Partido Comunista Italiano em 1921, e o primeiro teórico marxista a defender que a revolução na Europa Ocidental teria que se desviar muito do rumo seguido pelos bolcheviques russos, capitaneados por Vladimir Illitch Ulianov Lênin (1870-1924) e seguido por Iossif Vissirianovitch Djugatchvili Stalin (1879-1953).

Durante sua prisão na Itália em 1926, que se prolongou até 1935, escreveu inúmeros textos sobre o comunismo os quais começaram a ser publicados por partes na década de 30, e integralmente em 1975, sob o título Cadernos do Cárcere. Esta publicação, difundida em vários continentes, passou a ser o catecismo das esquerdas, que viram nela uma forma muito mais potente de realizar o velho sonho de implantar o totalitarismo, sem que fosse necessário o derramamento de sangue, como ocorreu na Rússia, na China, em Cuba, no Leste Europeu, na Coréia do Norte, no Camboja e no Vietnã do Norte, países que se tornaram vítimas da loucura coletiva detonada por ideólogos mentecaptos.

Gramsci professava que a implantação do comunismo não deve se dar pela força, como aconteceu na Rússia, mas de forma pacífica e sorrateira, infiltrando, lenta e gradualmente, a idéia revolucionária. A estratégia é utilizar-se de diplomas legais e de ações políticas que sejam docilmente aceitas pelo povo, entorpecendo consciências e massificando a sociedade com uma propaganda subliminar, imperceptível aos mais incautos que, a priori, representam a grande maioria da população, de modo que, entorpecidos pelo melífluo discurso gramsciano, as consciências já não possam mais perceber o engodo em que estão sendo envolvidas.

A originalidade da tese de Gramsci reside na substituição da noção de “ditadura do proletariado” por “hegemonia do proletariado” e “ocupação de espaços”, cuja classe, por sua vez, deveria ser, ao mesmo tempo, dirigente e dominante. Defendia que toda tomada de poder só pode ser feita com alianças e que o trabalho da classe revolucionária deve ser primeiramente, político e intelectual.

A doutora Marli Nogueira, estudiosa do assunto, nos dá a seguinte explicação sobre a “hegemonia”:

“A hegemonia consiste na criação de uma mentalidade uniforme em torno de determinadas questões, fazendo com que a população acredite ser correta esta ou aquela medida, este ou aquele critério, esta ou aquela ´análise da situação´, de modo que quando o comunismo tiver tomado o poder, já não haja qualquer resistência. Isto deve ser feito, segundo ensina Gramsci, a partir de diretrizes indicadas pelo ´intelectual coletivo´ (o partido), que as dissemina pelos ´intelectuais orgânicos´ (ou formadores de opinião), sendo estes constituídos de intelectualóides de toda sorte, como professores – principalmente universitários (porque o jovem é um caldo de cultura excelente para isso), a mídia (jornalistas também intelectualóides) e o mercado editorial (autores de igual espécie), os quais, então, se encarregam de distribuí-las pela população”.

Quanto à “ocupação de espaços”, pode ser claramente vislumbrada pela nomeação de mais de 20 mil cargos de confiança pelo PT em todo o território brasileiro, cujos detentores desses cargos, militantes congênitos, têm a missão de fazer a acontecer a “hegemonia”.

Retornando a Gramsci e segundo ele, os principais objetivos de luta pela mudança são conquistar, um após outro, todos os instrumentos de difusão ideológica (escolas, universidades, editoras, meios de comunicação social, artistas, sindicatos etc.), uma vez que, os principais confrontos ocorrem na esfera cultural e não nas fábricas, nas ruas ou nos quartéis. O proletariado precisa transformar-se em força cultural e política, dirigente dentro de um sistema de alianças, antes de atrever-se a atacar o poder do Estado-burguês. E o partido deve adaptar sua tática a esses preceitos, sem receio de parecer que não é revolucionário. Isso o povo brasileiro não está percebendo, pois suas mentes já foram entorpecidas pelo governo revolucionário que está no poder.

Desta forma, Gramsci abandonou a generalizada tese marxista de uma crise catastrófica que permitiria, como um relâmpago, uma bem sucedida intervenção de uma vanguarda revolucionária organizada. Ou seja, uma intervenção do Partido. Para ele, nem a mais severa recessão do capitalismo levaria à revolução, como não a induziria nenhuma crise econômica, a menos que, antes, tenha havido uma preparação ideológica. É exatamente isto que está acontecendo no presente momento aqui no Brasil: A preparação ideológica. E está em fase muito adiantada, diga-se de passagem.

Segundo a doutora Marli:

“Uma vez superada a opinião que essa mesma sociedade tinha a respeito de várias questões, atinge-se o que Gramsci denominava ´superação do senso-comum´, que outra coisa não é senão a hegemonia de pensamento. Cada um de nós passa, assim, a ser um ventríloquo a repetir, impensadamente, as opiniões que já vêm prontas do forno ideológico comunista. E quando chegar a hora de dizer ´agora estamos prontos para ter realmente uma ´democracia´ (que, na verdade, nada mais é do que a ditadura do partido), aceitaremos também qualquer medida que nos leve a esse rumo, seja ela a demolição de instituições, seja ela a abolição da propriedade privada, seja ela o fim mesmo da democracia como sempre a entendemos até então, acreditando que será muito normal que essa ´volta à democracia´ se faça por decretos, leis ou reformas constitucionais”.

Lênin sustentava que a revolução deveria começar pela tomada do Estado para, a partir daí, transformar a sociedade. Gramsci inverteu esses termos: a revolução deveria começar pela transformação da sociedade, privando a classe dominante da direção da “sociedade civil” e, só então, atacar o poder do Estado. Sem essa prévia “revolução do espírito”, toda e qualquer vitória comunista seria efêmera.

Para tanto, Gramsci definiu a sociedade como “um complexo sistema de relações ideais e culturais” onde a batalha deveria ser travada no plano das idéias religiosas, filosóficas, científicas, artísticas etc. Por essa razão, a caminhada ao socialismo proposta por Gramsci não passava pelos proletariados de Marx e Lênin e nem pelos camponeses de Mão Tse Tung, e sim pelos intelectuais, pela classe média, pelos estudantes, pela cultura, pela educação e pelo efeito multiplicador dos meios de comunicação social, buscando, por meio de métodos persuasivos, sugestivos ou compulsivos, mudar a mentalidade, desvinculando-a do sistema de valores tradicionais, para implantar os valores da ideologia comunista.
Fidel Castro, com certeza, foi o último dinossauro a adotar os métodos de Lênin. Poder-se-á dizer que Fidel ao lado de Hugo Chávez e Evo Morales são os últimos dos moicanos às avessas considerando que seus discípulos Lula, Kirchner, Vásquez e Zapatero, estão aplicando, com sucesso, as teses do Caderno do Cárcere, de Antônio Gramsci. Chávez, o troglodita venezuelano, optou pelo poder da força bruta e fraudes eleitorais. No Brasil, por via das dúvidas, mantêm-se ativo e de prontidão o MST e a Via Campesina, grupos paramilitares, como salvaguarda, caso tenham que optar pela revolução cruenta que é a estratégia leninista.

Todos os valores que a civilização ocidental construiu ao longo de milênios vêm sendo sistematicamente derrubados, sob o olhar complacente de todos os brasileiros, os quais, por uma inocência pueril, seja pelo resultado de uma proposital fraqueza do ensino, seja por uma ignorância dos reais intentos das esquerdas, nem mesmo se dão conta de que é a sobrevivência da própria sociedade que está sendo destruída.

Perdidos esses valores, não sobra sequer espaço para a indignação que, em outros tempos, brotaria instantaneamente do simples fato de se tomar conhecimento dos últimos acontecimentos envolvendo escancaradas corrupções em todos os níveis do Estado.

O entorpecimento da razão humana, com o conseqüente distanciamento entre governantes e governados, já atingiu um ponto tal que, se não impossibilitou, pelo menos tornou extremamente difícil qualquer tipo de reação por parte do povo. Estando os órgãos responsáveis pela sua defesa – imprensa, associações civis, empresariado, clero, entre outros – totalmente dominados pelo sistema de governo gramsciano que há anos comanda o País, o resultado não poderia ser outro: a absoluta indefensabilidade do povo brasileiro. A este, alternativa não resta senão a de assistir, inerme e inerte, aos abusos e desmandos daqueles que, por dever de ofício, deveriam protegê-lo em todos os sentidos.
A verdade é que os velhos métodos para implantação do socialismo-comunismo foram definitivamente sepultados. Um novo paradigma está sendo adotado, cuja força avassaladora está sendo menosprezada, e o que é pior, nem percebida pelo povo brasileiro.

O Brasil está sendo transformado, pelas esquerdas, num laboratório político do pensamento de Gramsci sob a batuta do aluno aplicado e tutela do Foro de São Paulo.

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O FORO DE SÃO PAULO

Por Anatoli Oliynik

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Em junho de 1988 foi realizada a 19ª Conferência do Partido Comunista da União Soviética. Naquela oportunidade debateram-se os caminhos da “PERESTROIKA” de Mikhail Gorbachev, e já se vislumbrava a eminente queda do Muro de Berlim, o que de fato aconteceu em 9/11/1989.

Com a queda do Muro e com o desmoronamento planejado do comunismo pela União Soviética, Fidel Castro e as esquerdas latino-americanas perderam seu tutor financeiro e ideológico, a Rússia. Era preciso, portanto, articular a criação de um organismo que pudesse manter viva a “chama ideológica marxista-leninista”, bem como orientar e coordenar as suas ações comunistas no Continente.

Antes, porém, em janeiro de 1989, em Havana, por ocasião da reunião de cúpula do Partido Comunista de Cuba e o PT do Brasil foi estabelecido que, se Lula não ganhasse as eleições em novembro de 1989, deveria ser formada uma organização para coordenar as ações de toda a esquerda continental e que a liderança e organização do processo caberia a Luiz Inácio “Lula” da Silva. Portanto, Fidel já sabia dos planos arquitetados na 19ª Conferência do Partido Comunista e preparava terreno no Continente.

Aproveitando o poder parlamentar que tinha o Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil, Fidel Castro, com o apoio de Luis Inácio “Lula” da Silva, convocou os principais grupos terroristas revolucionários da América Latina para uma reunião na cidade de São Paulo. Acudiram ao chamado de Fidel e Lula, além do próprio PT e do Partido Comunista de Cuba, o Exército de Libertação Nacional (ELN), as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) da Nicarágua, a União Revolucionária Nacional da Guatemala (URNG), a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) de El Salvador, e o Partido da Revolução Democrática (PRD) do México.

O primeiro Encontro aconteceu no Hotel Danúbio na cidade de São Paulo, no período de 1 a 4 de julho de 1990. O nome “FORO DE SÃO PAULO” foi adotado na segunda reunião realizada na cidade do México, no período de 12 a 15 de junho de 1991, quando reuniu 68 organizações de 22 países. E assim nasceu o FORO DE SÃO PAULO. Uma coalizão de terroristas revolucionários, partidos comunistas, partidos de esquerda, enfim, a escória do Continente latino-americano, Caribe e América Central.

Para dirigi-lo centralizadamente, foi criado um Estado Maior civil constituído por Fidel Castro, Lula, Tomás Borge e Frei Betto, entre outros, e um Estado Maior militar, comandado também pelo próprio Fidel Castro, além do líder sandinista Daniel Ortega e o argentino Enrique Gorriarán Merlo [1].

Em 1991, foram elaborados os estatutos do Foro e escolhida uma direção que ficou composta pelo Partido Comunista Cubano (Cuba), Partido da Revolução Democrática (México), Partido dos Trabalhadores (Brasil), Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (El Salvador), Movimento Lavalas (Haiti), Movimento Bolívia Livre e os 6 partidos integrantes da Esquerda Unida (Peru) e da Frente Ampla (Uruguai, uma frente constituída por diversos partidos e organizações, dentro da qual o Movimento Tupamaros é hegemônico). Em 1992, a URNG – União Revolucionária Nacional Guatemalteca, que agrupa várias organizações voltadas para a luta armada, foi admitida como membro dessa direção.

A partir do II Encontro, realizado no México no período de 12 a 15 de junho de 1991, o FORO DE SÃO PAULO passou a ter CARÁTER CONSULTIVO e DELIBERATIVO dos Encontros. Isso significa que as decisões aprovadas em plenárias e constantes das Declarações finais passaram, a partir de então, a ser consideradas DELIBERATIVAS, isto é, DECISÓRIAS EM TERMOS DE ACEITAÇÃO e CUMPRIMENTO pelos membros do Foro, subordinando-os, portanto, aos ditames dos Encontros na ação a ser desenvolvida em nível internacional e nos respectivos países. Tais deliberações obedecem a uma política internacionalista, com vistas à implantação do socialismo no continente, fato que transfere para um segundo plano os interesses nacionais e fere os princípios da soberania e autodeterminação. A Lei Orgânica dos Partidos Políticos (LOPP) e a Constituição da República definem que “A ação do partido tem caráter nacional e é exercida de acordo com o seu estatuto e programa, sem subordinação a entidades ou governos estrangeiros” (artigo 17 da Constituição e item II, artigo 5º da LOPP). Isso no conceito dos dirigentes dos países membros do FORO DE SÃO PAULO é letra morta.

O FORO DE SÃO PAULO foi descoberto por José Carlos Graça Wagner, um advogado paulista e que o denunciou publicamente em 1º de setembro de 1997, em painel realizado na Escola Superior de Guerra, que versava sobre o tema “Movimentos Sociais e Contestação Sócio-Política – a Questão Fundiária no Brasil”. Com a sua morte, passou a acompanhar e denunciar a formação “eixo do mal” pelo Foro de São Paulo, o jornalista, filósofo e ensaísta, Olavo de Carvalho, o que lhe custou o emprego no jornal “O Globo” e muitos outros periódicos nos quais era articulista.

O FORO DE SÃO PAULO permaneceu no mais absoluto anonimato, eficientemente protegido pela mídia brasileira, toda ela engajada no esquerdismo marxista. O publico brasileiro, mais atento, somente tomou conhecimento e muito discretamente, quase que imperceptivelmente, por ocasião do 7º Encontro realizado na cidade de Porto Alegre em julho de 1997. Foi apenas uma discreta aparição que a imprensa brasileira procurou ocultar por meio da suspensão de todo e qualquer destaque que pudesse levantar suspeitas do que se tratava esse encontro, apesar de presentes 158 delegados, 58 partidos procedentes de 20 países, 36 organizações fraternas e cerca de 400 representantes de partidos e organizações de esquerda do continente.

No dia 2 de julho de 2005, por ocasião do XII Encontro ocorrido em São Paulo, se comemorou os 15 anos de fundação da organização, com discurso laudatório do presidente do Brasil cujo trecho selecionado é reproduzido a seguir:

“Foi assim que nós pudemos atuar junto a outros países com os nossos companheiros do movimento social, dos partidos daqueles países, do movimento sindical, sempre utilizando a relação construída no Foro de São Paulo para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política. Foi assim que surgiu a nossa convicção de que era preciso fazer com que a integração da América Latina deixasse de ser um discurso feito por todos aqueles que, em algum momento, se candidataram a alguma coisa, para se tornar uma política concreta e real de ação dos governantes. Foi assim que nós assistimos a evolução política no nosso continente.”

“E é por isso que eu, talvez mais do que muitos, valorize o Foro de São Paulo, porque tinha noção do que éramos antes, tinha noção do que foi a nossa primeira reunião e tenho noção do avanço que nós tivemos no nosso continente, sobretudo na nossa querida América do Sul.”

“Por isso, meus companheiros, minhas companheiras, saio daqui para Brasília com a consciência tranqüila de que esse filho nosso, de 15 anos de idade, chamado Foro de São Paulo, já adquiriu maturidade, já se transformou num adulto sábio. E eu estou certo de que nós poderemos continuar dando contribuição para outras forças políticas, em outros continentes, porque logo, logo, vamos ter que trazer os companheiros de países africanos para participarem do nosso movimento, para que a gente possa transformar as nossas convicções de relações Sul-Sul numa coisa muito verdadeira e não apenas numa coisa teórica.”

(Discurso de comemoração dos 15 anos do Foro, julho de 2005)

A documentação acerca do FORO DE SÃO PAULO jamais teve ampla divulgação, tendo sido inicialmente publicado apenas na edição doméstica do GRANMA, órgão oficial do Partido Comunista Cubano. Na edição internacional nada transpirou. Mais tarde, passou a ter algum tipo de noticiário restrito em poucos jornais de alguns países e, até numa revista editada na Argentina chamada “América Libre”, quase de circulação interna, dirigida por Frei Betto.

O objetivo do Foro de São Paulo é implantar governos socialistas na América Latina, via eleições “democráticas”, que mais tarde serão convertidos em governos totalitários, a exemplo do modelo cubano em vigor, tudo sob a falsa retórica de “democracia”, tal como eles, os comunistas entendem. Os campos de atividade do Foro são a subversão política e social de todo o continente latino-americano. Veja-se o caso de Zelaya na embaixada brasileira em Honduras. Tudo sob a falsa retórica da “democracia”, repito. Trata-se, portanto, de uma organização que se mantém no anonimato para que seus projetos totalitários não sejam identificados antes que se complete o plano de dominação e implantação do pensamento hegemônico no Brasil e no continente Latino-americano. Para este desiderato o FORO DE SÃO PAULO conta com o apoio da ONU e da OEA.

Desde a sua fundação, o Foro realizou quinze encontros segundo a cronologia a seguir:

I – São Paulo (Brasil) de 1 a 4 de julho de 1990
II – Cidade do México (México) de 12 a 15 de junho de 1991
III – Manágua (Nicarágua) de 16 a 19 de julho de 1992
IV – Havana (Cuba) de 21 a 24 de julho de 1993
V – Montevidéu (Uruguai) de 25 a 28 de maio de 1995
VI – San Salvador (El Salvador) de 26 a 28 de julho de 1996
VII – Porto Alegre (Brasil) de 27 a 31 de julho de 1997
VIII – Cidade do México (México) novembro de 1998
IX – Manágua (Nicarágua) fevereiro de de 2000
X – Havana (Cuba) de 4 a 7 de dezembro de 2001
XI – Antigua (Guatemala) de 2 a 4 de dezembro de 2002
XII – São Paulo (Brasil) de 1 a 4 de julho de 2005
XIII – San Salvador (El Salvador) de 12 a 16 de janeiro de 2007
XIV – Montevidéu (Uruguai) de 23 a 25 de maio de 2008
XV – Cidade do México (México) de 20 a 23 de agosto de 2009

Como vimos, participam do FORO DE SÃO PAULO partidos e organizações de esquerda, reformistas e revolucionárias; Partidos Comunistas que se definem como marxistas-leninistas; organizações e grupos trotskistas; Partidos Comunistas que continuam se definindo como marxistas-leninistas-maoístas (da Argentina, Peru e Uruguai) e que possuem uma articulação internacional própria em 17 países; Partidos Socialistas filiados ou não à Internacional Socialista; organizações que continuam desenvolvendo processos de luta armada, como as FARC e ELN, na Colômbia e organizações que participaram da luta armada e hoje atuam na legalidade, como o Movimento 19 de Abril, também da Colômbia e os Tupamaros, do Uruguai.

Esta é, portanto, a breve radiografia do FORO DE SÃO PAULO, uma organização que os brasileiros não conhecem e a maioria nem sabe que existe, e cujo objetivo maior é comprar a sua alma para vendê-la ao demônio.

[1] Enrique Gorriarán Merlo foi o fundador do Exército Revolucionário do Povo (ERP) e posteriormente do Movimento Todos pela Pátria (MTP). Gorriarán Merlo foi, também, o autor do ataque terrorista em janeiro de 1980 ao regimento de infantaria La Tablada, em Buenos Aires, no qual morreram 39 pessoas, e foi quem encabeçou a esquadra que assassinou Anastásio Somoza em Assunção, Paraguai, em setembro de 1980. Organizou a máquina militar do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA), o mesmo que tomou a residência do embaixador japonês em Lima.

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O MITO DE GUERNICA

Gustavo Corção

Guernica

Em artigo anterior referi-me a um sensacional estudo do professor Jeffrey Hart publicado em National Review de janeiro de 1973 com o título “The Great Guernica Fraud”, no qual se vê que o famoso bombardeio de Guernica não houve. Simplesmente, não houve. E o famosíssimo quadro com que Picasso impingiu a todo o mundo a impostura, passa a ser um quadro comemorativo de um brutal feito de guerra que não houve.

E eu, que escrevi um livro inteiro para apontar o itinerário de imposturas deste século de escavadores do nada, engoli esta de Guernica. Já escrevi uma pequena nota para a 2a. edição de O Século do Nada, que está saindo, na qual digo que a desmitização do bombardeio em nada altera a linha de argumentação do Capítulo, mas vem tornar evidentemente mais cômica a posição dos intelectuais de esquerda que em julho de 37 assinaram o manifesto pró-basco que lhes foi inculcado por Moscou.

Como era de se esperar, surgiram reações positivas e negativas do mundo inteiro ao artigo do professor Jeffrey Hart. O número de agosto de National Review publica alguma dessas cartas, e o breve comentário que Jeffrey Hart volta a fazer. Fica evidente que houve empulhamento e que era falsa a versão transmitida por Hugh Thomas no seu já clássico The Spanish Civil War, pela qual “o próprio Goering teria admitido, em 1946, que Guernica fora um teste de seus aviões bombardeios”. Vale a pena ler as cartas do conhecido historiador inglês Brian Crozier, e de Alfredo Maurice de Zayas, dirigidas ambas à National Review como reforço de desmitização.

Transcrevemos abaixo a primeira, que é a mais concisa e tem autor mais reputado:

“Prezado Senhor: surpreendi-me de ver sua nota sobre Picasso (Economist, abril 1) ainda dar destaque ao encanecido mito Republicano sobre a destruição de Guernica por “bombardeio a serviço do General Franco”. A verdade completa sobre Guernica talvez nunca seja sabida, mas já se tornou evidente que os Nazis, além das muitas atrocidades praticadas, não são autores desta que lhes atribuem. Algumas das provas ditas estão mencionadas no meu livro sobre Franco (1967). Mas depois disso outras provas chegaram ao meu conhecimento. Parece ter havido algum bombardeio alemão que causou algumas vítimas. Os documentos alemães capturados na época (que evidentemente não se destinavam à publicação) registraram surpresa e indignação pelo que lhes imputavam (Documens on German Foreign Policy, 1918-1945, Séries D, vol. III, London HMSO, 1951; Nos. 249 and 251). “O Estado Maior Nacionalista (na Espanha de 1937) registrou (também em documento que não se destinava à publicação) em 29 de abril de 37 — três dias depois do alegado bombardeio aéreo de Guernica — que a cidade tinha sido encontrada incendiada pelos Vermelhos antes de abandoná-la. Louis Bolin cita esses documentos em seu livro Espanha — Os anos vitais 1967 e eu também os li. Quando o meu livro Franco foi publicado, algumas testemunhas o apoiaram. O Comandante da Aeronautica Sir Archibald James com muita gentileza registrou um relatório de que me enviou cópia assinada. Ele percorreu a região atentamente, e com a autoridade de um oficial aviador observou, poucos dias depois da queda de Guernica, que a cidade tinha sido incendiada e arrasada sistematicamente, com exceção do quarteirão central que contém a catedral, a prefeitura e a Árvore Sagrada dos Bascos que permaneceram intatas. Encontrou meia dúzia de pequenas crateras dentro de cem metros de perímetro. Conclui-se que, no estado em que se achava a técnica de bombardeio aéreo em 1937 (e mesmo em 1973) seria impossível destruir quarteirões importantes. Visitei Guernica recentemente — diz ainda o historiador inglês Brian Crozier — para ver com os próprios olhos que a destruição não podia ser imputada aos ataques aéreos nazistas”.

A carta de Alfred Maurice de Zayas é mais extensa e mais enfática na desmitização. Mas o que mais me impressionou no tom do historiador inglês e no tom de Maurice de Zayas foi a frieza da objetividade com que corrigem um erro histórico cometido pelo scholar Hugh Thomas, sem demonstrarem nenhuma emoção diante da monstruosidade histórica criada pela impostura que produziu o quadro de Picasso, e na França provocou o lamentável manifesto pró-basco assinado por intelectuais católicos do mais alto renome — tudo isto enquanto os “nacionalistas” espanhóis se esforçavam por livrar sua pátria dos inimigos que perseguiam cruelmente a Igreja e a civilização cristã. Fico muito agradecido aos historiadores que desmontaram o empulhamento, mas chego à melancólica conclusão que ninguém mais é tão insensível ao sentido da história. No caso, o fleugmático inglês Brian Crozier deixa aberta a hipótese de algum outro bombardeio alemão para explicar o erro do colega, sem lhe passar pela idéia, aparentemente, a existência de todo um caudaloso sistema de imposturas visíveis em outros fatos, affaire Dreyfus, condenação da Action Française, Ialta, Katim etc. que explica muito mais veementemente o caso Guernica do que um outro eventual bombardeio alemão.

Ao próprio professor Jeffrey Hart a quem devemos a publicidade do desenvolvimento parece escapar a conexão que insere o episódio num largo estuário de uma corrente histórica que quer exterminar o cristianismo e a civilização, para recomeçar a história da estaca zero, ex-nihilo.

Artigo originalmente publicado em: (O Globo, 6 de Outubro de 1973).

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O ESQUERDISTA, quem é ele?

Anatoli Oliynik ( * )

“A ambição diabólica do esquerdista é querer mandar no mundo”

O esquerdista é um doente mental que precisa de ajuda e não sabe. Um sujeito miserável que necessita da piedade humana. Mas cuidado com ele. Por ser um ser desprezível, abjeto, infame, torpe, vil, mísero, malvado, perverso e cruel, todos sinônimos é verdade, mas insuficientes para definir seu verdadeiro perfil, ele é perigoso e letal.

É um sociopata camuflado, um psicótico social que imagina ser Deus e centro do mundo. Na sua imaginação acha que é capaz de solucionar todos os problemas da humanidade e do mundo real, mas que na verdade quer solucionar os seus próprios, que projeta nos outros para enganá-lo e dizer que é altruísta.

É um invejoso. A inveja é a sua marca registrada. Sente ódio doentio e permanente pelas pessoas de sucesso, notadamente aquelas realizadas financeira e economicamente. O sucesso alheio corrói suas entranhas. É aquele sujeito que passa pelo bosque e só vê lenha para alimentar a fogueira de seu ódio pelo sucesso alheio.

É um fracassado em todos os sentidos. Para justificar o seu fracasso busca desesperadamente culpados para a sua incompetência pessoal, profissional e humana. No seu conceito, a culpa é sempre dos outros, nunca atribuída a ele mesmo. É um sujeito que funciona como uma refinaria projetada para transformar insatisfações pessoais e sociais em energia pura para promover a revolução proletária.

É um cínico. Não no conceito doutrinário de uma das escolas socráticas, mas no sentido de descaramento. Portanto, um sujeito sem escrúpulos, hipócrita, sarcástico e oportunista. Para justificar seu fracasso e sua incompetência pessoal, se coloca na condição de defensor do bem-estar da sociedade e da humanidade, quando na verdade busca atender aos seus interesses pessoais, inconfessos. Para isso, se coloca na postura de bom samaritano e entra na vida das pessoas simples e desprovidas da própria sorte, com seu discurso mefistofélico.

É um ateu. Devido a sua psicose, já comentada anteriormente, destitui Deus e se coloca no lugar d’Ele para distribuir justiça, felicidade e bem-estar social, solucionar todos os problemas do mundo e da humanidade, dentre outros quejandos. É um indivíduo que tem a consciência moral deformada e deseja, acima de tudo, destruir todos os valores cristãos e construir um mundo novo, segundo suas concepções paranóicas.

É um narcisista. A sua única paixão é por si mesmo, embora use da artimanha para parecer um sujeito preocupado com os outros, no fundo não passa de um egoísta movido pelo instinto de autoconservação.

É um niilista. Um sujeito que renega os valores metafísicos divinos e procura demolir todos os valores já estabelecidos e consagrados pela humanidade para substituí-los por novos, originários de sua própria demência. Assim, ele redireciona a sua força vital para a destruição da moral, dos valores cristãos, das leis etc. Sua vida interior é desprovida de qualquer sentido, ele reina no absurdo. É o “profeta da utopia” e o “filósofo do nada”.

É um genocida cultural. Na sua vasta ignorância da realidade do mundo manifestado, o esquerdista acha que o mundo é a expressão das idéias nascidas de sua mente deformada e assim se organiza em grupos para destruir a cultura de uma sociedade, construída a custa de muitos sacrifícios e longos anos de experiência da humanidade.

Agora que você conhece algumas características do esquerdista, fica um conselho: jamais discuta com um deles, porque a única coisa que ele consegue falar é chamá-lo de reacionário, nazista, capitalista e burguês. Ele repete isso o tempo todo e para todos que o contradizem, pois a única coisa que sua mente deformada consegue assimilar, são essas palavras. Com muito custo ele consegue pronunciar mais um ou dois verbetes na mesma linha aos já descritos, todos para desqualificá-lo e assim expressar a sua soberba.

Os conceitos atribuídos ao esquerdista se aplicam em gênero, número e grau aos socialistas, marxistas, leninistas, stalinistas, trotskistas, comunistas, maoístas, gramscistas, fidelistas, chevaristas, chavistas e especialmente aos membros da família dos moluscos cefalópodes.

Para finalizar, porém longe de esgotar o assunto, o esquerdista é aquele sujeito cuja figura externa é enormemente maior que a própria realidade. Sintetiza o cavaleiro solitário no deserto do absurdo, cuja ambição diabólica é querer mandar no mundo.

( * ) Anatoli Oliynik é administrador e consultor de empresas.

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